Antero de Quental – a voz da Pátria

Há 177 atrás nascia na Ilha de São Miguel, um ilustre patriota que dignificou a literatura Portuguesa e enriqueceu a nossa língua, de tal forma que mereceu o mérito de Pessoa que afirmara antes d’ele não haver sequer literatura Portuguesa. Recordamos Antero de Quental que celebraria, no dia 14 de Abril, o seu centésimo septuagésimo sétimo aniversário.

Mais do que recordar, homenageamos Antero de Quental, presidente da outrora “Liga Patriótica do Norte” que protestou “contra o insulto e a villania da Inglaterra” aquando do Ultimatum Inglês, e que fez da sua vida politica um combate pelo “propósito de nos libertarmos da sua aviltante dependência”, apelando a um “esforço viril para sermos de facto independentes”, o que não o éramos nem politica, nem economicamente, tal como nos dias de hoje.

Nos seus propósitos, o Escudo Identitário revela-se como um progénito do espírito de liberdade de Antero de Quental e da missão da “Liga”, movimento de uma nobilíssima e pragmática paixão e percursores da obra de ressurreição do brio e das forças do povo Português. Desde os tempos de Antero que se estabeleceu um divórcio entre a nação e os governantes, um verdadeiro divórcio, que as crises desde então vieram apenas patentear em toda a sua cruel realidade. Declamava Antero de Quental que “os governos, em Portugal, deixaram há muito de representar genuinamente os interesses e o sentir da nação”. Miseravelmente, esta realidade ainda permanece vigente no actual quotidiano Português. Para tal compete-nos a missão de cumprir, com sucesso, Portugal e de representar e zelar os interesses de todos os Portugueses e da Pátria, não só nas suas formas materiais, mas nas suas elevadas características, entre estes preeminentemente, os interesses morais e a dignidade nacional, assim como a nossa matriz cultural integrada num espírito de harmonia perante os demais herdeiros e irmãos da Europa. Deste modo, inspiramo-nos em Homens como Antero de Quental que fez como mote do seu espírito e dos seus demais camaradas o “sacrifício no altar da pátria dos intuitos e providências particulares, das dissidências, azedumes e suspeições, (características de um) triste legado d’um tempo de mesquinhas lutas, que entibiaram ainda os melhores, e unidos n’um comum ideal, seremos fortes por essa união indissolúvel, tão indissolúvel, como a unidade da pátria, cujo sentimento nos inspira a todos, sem distinções”.

Com Antero de Quental e o seu legado, o Escudismo torna-se mais dinâmico, virtuoso e aperfeiçoado, dado que a atitude que nos convém não é a do protesto violento, irracional e estéril, mas antes a da concentração da vontade, mesmo quando se esta se revela supérflua e improdutiva, pois só assim se reconquistará a liberdade do povo Português, a dignidade nacional e a independência da Pátria. Se ainda for necessárias provas, o actual estado humilhante em que vivemos, nos prova quanto o pensamento Escudista é único e libertador e quanto é necessário e urgente que unidos nesse só pensamento, todos os Portugueses trabalhem pelo levantamento da nossa Pátria, hoje ludibriada e indefesa. Coragem, paciência e esforço fora a divisa anteriana e hoje a herdamos para alcançar um futuro, um nobre futuro, digno do nosso nobre passado, que nos recompensará amplamente pelos sacrifícios do presente.

“Na mão de Deus, na sua mão direita, Descansou afinal meu coração.” – Antero de Quental (1842-1891)