Aquilo que somos

Aquilo que somos, os “linces” que defendemos Tal como o lince – símbolo presente na nossa bandeira – assim o nosso povo europeu se encontra gravemente ameaçado de extinção: uma ameaça de absoluta irreversibilidade, de total perda de ligação a uma grande família, a um agrupamento biológico, histórico e cultural que tem raizes multimilenares. Não são os “valores” que ameaçam os “linces”, mas sim a crença generalizada que são os valores o único que importa defender (e não quem os concebeu). Dizem-nos que a grande “virtude” europeia reside na defesa duma colecção de abstrações: “democracia”, “igualdade”, “liberdade”, “tolerância”, “multiculturalismo”.

Uma crença tal declara, consequentemente, que a introdução de espécies exóticas e invasoras neste nosso habitat não afectará a sobrevivência dos próprios “linces”, isto é, daquilo que somos e, consequentemente, daquilo que construímos enquanto povo de modo ímpar. Os “linces”, os europeus, não viverão nem morrerão por abstracções. Viveremos e morreremos por uma nação, por um povo concreto, pelos nossos filhos, pela nossa família, pelo seu futuro e pela vontade de fazer parte de algo maior do que o mero indivíduo. Uma Europa baseada em abstracções transformou-se numa nação para todos e, portanto, numa nação para ninguém: um lugar onde nós próprios nos tornamos estranhos. Este conflito de autóctones e de alóctones – cujo choque tende a mesclar e empobrecer a prazo os primeiros – está a acarretar prejuízos cujas perdas continuam a ser subestimadas. Alguns poderão dizer que o actual desafio é impossível.

Mas nada necessário é impossível. – Nota: “Lince”, do latim “lyncis” e este do grego λύγξ (lynx), de raiz indo-europeia “leuk-”, étimo que exprime o sentido de “brilho”, de “branco” ou de “luz” (igualmente presente em: iluminar, luminoso, lunar, ilustre, lume, luz, Lucifer, leucócito, leucemia, etc.). Perante um olhar brilhante e penetrante, os nossos antepassados chegaram a acreditar que a sua visão tinha a capacidade de trespassar paredes. O “lynx” já era citado por escritores romanos, tais como Virgílio, Ovídio, Horácio, entre outros. Em sentido figurado, diz-se de uma pessoa de dotada de sentidos refinados, astuta, perspicaz.