O ideário sóciopolitico Escudista: Parte I – Liberdade

No que concerne à Liberdade, definimos esta como autonomia de espírito, ou por outras palavras, autogoverno, não no sentido de isolamento a impedimentos ou bloqueios externos, mas no sentido de domínio e livre-arbítrio dos desejos e ímpetos humanos pelas faculdades superiores do homem. Assim, contrariamente à compreensão liberal, a Liberdade depende da auto-imposição de restrições, impedimentos e limitações, sendo que, o fundamento do erro liberal está na sua percepção fundamentalmente anárquica e niilista de Liberdade, segundo a qual este conceito está adjunto à ausência de restrições à acção individual. Se, para o liberalismo, um alcoólico ou um drogado, consciente dos seus vícios e problemas, é livre pois não está perante impedimentos ou interferências externas que o impeçam de beber ou não beber segundo seus desejos, para o Escudista, esse mesmo alcoólico ou drogado é um escravo de um bem de consumo. Por analogia, a liberdade de uma Nação ou comunidade advém da livre iniciativa de cumprir a necessidade de que todos estejam organizados e disciplinados para que cumpram as suas funções, colaborem para a segurança, bem-estar e desenvolvimento e tenham os seus proventos e direitos respeitados. Por conseguinte, a liberdade comunitária principia por ser experiência fundamental da ciência e da biologia humana e por “pregar o evangelho” da justiça social, mas também, por ser potenciável, em todos aqueles que sejam chamados a intervir, fraternamente, na defesa da Pátria e no assegurar do desenvolvimento da Nação, através da preconização da justiça social.

Como afirmava Antero de Quental, o mundo da liberdade é sinónimo do mundo de espirito. A actual democracia liberal jamais concedera este princípio como válido, sendo que em contraposição, a doutrina Escudista aspira a realizar nas instituições e na sociedade a máxima soma de verdade humana e social, isto é, de liberdade, de respeito, de garantias, de prosperidade, riqueza e actividade. Deste modo, o Escudismo apresenta feições próprias, capazes de propiciar as condições de desenvolvimento dos Portugueses providos de ciência e consciência, sem os quais a liberdade da Nação se subsumiria numa justiça cega e apocalíptica. 

Sintetizando, o conceito de Liberdade, sob o ponto de vista liberal, é um resultado fatal dos interesses apaixonados, dos antagonismos entre classes, dos egoísmos e ambições, que fermentam na actual ordem social, desprovidas de ciência, racionalismo e natureza biológica. De maneira oposta, a percepção de Liberdade, sob o ponto de vista Escudista, tende a afirmar-se como um produto da liberdade reflectida do conhecimento científico e biológico, da organização social face aos modelos económicos, e sobretudo, como manifestação consciente da inteligência e da moralidade dos homens. Esta, nega a autoridade vigente como uma forma estranha e superior ao cidadão Português, e substitui às Leis da actual Constituição, um contrato, que interliga, moral, espiritual e eticamente, os cidadãos Portugueses ao Estado, pretendendo consignar cidadãos independentes, dignos e firmes, contrariamente à actual sociedade inconsciente, servil e cruel.