Socialismo, Capitalismo e a dicotomia que nunca o foi.

Para um Identitário, alguém que tem como ponto de partida, como âncora, a identidade do seu povo, a discussão interminável entre socialismo e capitalismo é uma questão de segundo plano. É uma discussão com as prioridades trocadas e que por vezes chega a ser cómica (sobretudo quando as gerações mais velhas, os “babyboomers”, começam a criar memes).

Tanto o capitalismo como o socialismo partem do mesmo principio materialista de que a economia é o centro da vida humana. De que a felicidade humana está ligada apenas à nossa capacidade de consumir e de que somos apenas meras rodas dentadas, todas iguais e facilmente substituídas, na grande engrenagem que é a economia mundial. A concepção do homem como mero produtor-consumidor, o tal Homo Economicus, é uma das formas mais redutoras, mais destrutivas e mais incompletas de conceber a realidade humana mas é assim mesmo que os socialistas e os capitalistas vêem o mundo. Por muito que discutam entre sí sobre a melhor forma de gerir a economia, ambos partilham uma visão do mundo semelhante e ambos partilham os mesmos princípios economicistas e puramente materiais.

“Não existem povos, apenas aglomerados de indivíduos e não existem países, apenas grandes supermercados que deverão ser ligados ao grande hipermercado do mundo”. É este pensamento puramente economicista que nós, enquanto Identitários, recusamos. Quando confrontado com uma questão económica, o Identitário irá sempre pensar na melhor forma de proteger o seu povo e a sua cultura e não na melhor forma de encher os bolsos ou produzir mais. O Identitário irá sempre pensar a longo prazo (e não sr. Keynes, não estaremos todos mortos) e irá sempre ter em conta as gerações vindouras. Nem tudo tem um preço e nem tudo o que tem um preço está para venda. Quanto custa uma sociedade com uma elevada confiança social (social trust)? Quanto custa o orgulho que sentimos quando toca o nosso Hino? Quanto custa viver numa sociedade enraizada e com fortes laços sociais entre os seus membros? O Identitário não aceita subornos e não aceita que o seu país esteja para venda, que o seu país seja pilhado por agentes nacionais ou internacionais desenraizados e sem cultura.

Não existem desculpas para não ter uma opinião sobre como a economia nacional deverá ser gerida mas também não existem razões para submeter o povo à economia e não a economia ao povo. Quando na dúvida, nós, os Portugueses, temos precedência.